14 de setembro de 2011

Escova de dentes ou fonte de água?

Projetos experimentais são sempre muito interessantes. Talvez pelo fato de não existirem muitas restrições (principalmente de custo), o que nos permite pensar em coisas novas com mais liberdade.

E que o diga Scott Amron, engenheiro elétrico, designer, artista conceitual e fundador do Amron Experimental. E o projeto que queremos destacar é a Fountain Toothbrush. Como o nome diz, é uma escova de dentes e uma fonte de água.

Se você acha que é algo super tecnológico, nada disso! Com uma singela modificação no desenho "clássico" das escovas de dentes, ela pode direcionar a água diretamente para a boca de quem a está utilizando de maneira funcional e divertida.




E porque nós gostamos dela? Bem, todos adoram uma fonte de água! E além disso, ela elimina a necessidade de copos (descartáveis ou de vidro) na hora de escovar os dentes. Lógico que a maioria das pessoas simplesmente faz uma conchinha com a mão para levar a água até a boca, mas o interessante é ver que um costume pode ser modificado com um bom produto.




O legal é que essa escova de dentes quase lúdica pode estimular as crianças a escovarem seus dentes (sabemos que não é algo muito fácil). E uma das tarefas do designer é facilitar e deixar as atividades mais divertidas e prazerosas, concordam?


Este produto ganhou alguns prêmios de design - dentre os quais o Red Dot de 2007. Sabe o que os jurados disseram? Que a Fountain Toothbrush lembrou o mais primitivo poder do design: criar maravilhas quando elas não são esperadas. 


Site: http://www.amronexperimental.com/index.html

4 de setembro de 2011

A saga do roupeiro

Faz um tempo que não aparecemos por aqui... Mas certamente vocês vão compreender a situação. Desde semana passada estávamos envolvidos na minha mudança de apartamento (afinal, início de mestrado, os livros começaram a tomar um bom espaço e o quarto já não era suficiente). Mas agora está tudo resolvido, e nosso apartamento novo (onde moram eu e duas amigas) é super aconchegante.

Enfim, este post é para um móvel em especial: o roupeiro. Desde que decidi me mudar, comecei minha busca por um roupeiro que me agradasse. Pesquisei em sites, briques, lojas. Minha busca durou por 15 dias, e nada do escolhido aparecer. Mas afinal, o que tanto eu queria nesse roupeiro?

Bom, como designer de produto recém formada, e com convicções muito fortes sobre o que é design de qualidade (o que para mim envolve principalmente a questão ecológica) não queria me render aos roupeiros baratos e descartáveis feitos de aglomerado. Porque? Pois além de não em agradarem esteticamente, possuem arestas cortantes, espaços mal divididos, são fabricados para não durar e são donos de uma falta de personalidade incrível. Buscava um móvel durável, com história, nem que para isso eu precisasse gastar um pouco mais.

Por três dias, meu roupeiro foram caixas de papelão. Por  três dias, andei por horas seguidas entrando em todas as lojas que encontrava no caminho (e o Leonardo acompanhando tudo, de bom humor). E achei roupeiros maravilhosos... que ou eram muito grandes, ou muito pequenos, ou muito caros para a situação atual, ou então eram os seriados-sem-personalidade roupeiros de aglomerado com lâminas marfins ou brancas.

Mas os ideais em que acredito falaram mais alto, e depois de encontrar o roupeiro perfeito em um brique (não fosse o preço e uma restauração mal feita...) vi que meu caso tinha solução. Umas quadras a mais, e encontrei (para alegrar ainda mais meu sábado ensolarado) o mesmo roupeiro, com preço mais acessível e na sua cor original!

Ok, chega de falar. Aí está a foto do escolhido!


E a cara de faceira, limpando o roupeiro (que estava mofado, e muito sujo!). Lógico que tive ajuda do Leonardo :)


E aqui, uma visão de como está ficando o quarto... Aquela peça descascando do lado do roupeiro é uma sapateira, que vai passar por uma transformação logo logo. E a estante de caixotes também!


O que acharam do escolhido? Valeu a pena ter procurado?

29 de agosto de 2011

Madeira?

Genial e inovadora a transformação que a designer alemã Elisa Strozik fez com retalhos de madeiras. Experimentando novas formas de trabalhar com os retalhos, projetou um surpreendente tecido de madeira!




Projetos como esse nos fazem repensar quais são as diversas propriedades dos materiais. Afinal, madeira não é o primeiro material que vem a cabeça quando se fala em maleabilidade (nem o segundo, nem o terceiro...). Explorar a utilização de cada um parece ser, cada vez mais, algo inesgotável.

A aplicação do novo tecido em produtos de mobiliário cria formas inusitadas e divertidas.






Além de provocar nossos pensamentos, o tecido gera novas possibilidades em projeto de produtos e também novas ideias como esta. Apimentou?

Fonte: http://www.elisastrozyk.de

Iglu que não derrete!

Em dias de chuva e nevasca, nos países do Norte, o que pode ser feito para divertir as crianças? Um iglu com garrafas de leite, lógico!


Fonte: Recyclart
Além de as crianças se divertirem durante a montagem, elas também aprendem que os materiais muitas vezes considerados lixo podem ser transformados em algo muito legal e com outra função. Pelo que vimos, a construção desses iglus é bastante comum na América do Norte, sendo inclusive ensinado na escola.

Apesar de não termos esse tipo de galão de leite no Brasil, temos muitas garrafas PET. Poderíamos criar uma versão tupiniquim - a começar por uma oca, ao invés de um iglu. Quer tentar? Aqui tem o passo a passo, e um vídeo que mostra a montagem: http://www.squidoo.com/milk-jug-igloo


Vale a tentativa!

28 de agosto de 2011

Forminhas de lixeira

Uma daquelas ideias que faz a gente refletir: "Como eu não pensei nisso antes?" A lixeira Fabriano, dos designers italianos Riccardo Nannini, Domenico Orefice e Emanuele Pizzolorusso é um cesto para lixo diferente dos que estamos acostumados.

Contendo 40 camadas de papel reciclado, dispostas como se fossem forminhas de brigadeiro, é só encher, enrolar e começar a usar a outra camada. Projeto simples e prático, como as boas ideias devem ser.

21 de agosto de 2011

Teia de plástico

100% polímero reciclado, e só. É o material utilizado para fazer a cadeira RD Legs.


Desenvolvida a partir de um processo experimental com plástico por Richard Liddle e a empresa Cohda, esta cadeira não precisa de cola ou aditivo de fixação. São necessários somente calor e habilidade. 




A cadeira é uma edição limitada, produzida manualmente no Reino Unido. (Veja a produção de um exemplar nesse video). 


Site: http://www.cohda.com/home
Link do video: http://vimeo.com/7598260

18 de agosto de 2011

Deixa Pega

Achou o título estranho? Então espere até conhecer esse projeto muito legal! O Deixa Pega surge como uma maneira de reduzirmos a grande quantidade de objetos que acabamos acumulando - seja por apego, estima ou costume, a verdade é que temos coisas demais, sendo usadas de menos. Desde aquela bolsa que já não faz mais nosso estilo, o filme que já cansamos de olhar ou o abajur que não combina com a cor da parede... Porque não tirar ele do fundo do armário e passar adiante?

Para estimular essa troca de objetos, o projeto promove a Sessão do Desapego, um espaço para reunir pessoas e circular produtos em bom estado de conservação - bem parecido com as feirinhas de troca e bazares. Você troca um produto que não usa mais por algo que esteja interessado (tudo isso sem envolver um real sequer).



E como ficamos sabendo desse projeto? No N Design Rio, lógico! A Mariana e o Bernardo (ativos e simpáticos participantes do projeto) ministraram uma oficina onde eles falaram sobre o excesso de consumo dos dias atuais, apresentaram toda a ideia do Deixa Pega, incentivaram um debate sobre outras possíveis ações desse estilo, falaram de livros e vídeos sobre o assunto (o documentário Compra Tira Compra foi um dos indicados) e, lógico, nos estimularam ao desapego de algo.

Como a gente estava acampado (e com o mínimo possível de roupas e objetos) não deu para fazermos a feirinha. Mesmo assim, troquei um Guia do Jardim Botânico por uma lanterna (que eu tinha esquecido!) e fizemos um Varal de Troca. Escrevemos em bilhetes coisas que gostaríamos de nos desapegar, e penduramos em um varal para que pudéssemos ver as "ofertas".

Os oficineiros Mariana e Bernardo, no lado direito, os participantes da oficina e o monitor.
A Pimenta Bis adorou conhecer o projeto Deixa Pega, e já estamos separando nossos desapegos para quando acontecer uma dessas feirinhas perto do Sul! Afinal, repensar/desapegar/circular tem tudo a ver com o menor gasto de recursos, melhor aproveitamento dos produtos e extensão do uso. Estamos esperando vocês, Mari e Berna!

"Desapegar é pensar menos na posse, ter mais espaços livres e também mais benefícios reais no uso dos produtos. Trocar, compartilhar, doar.. são algumas formas de praticar o Desapego e tudo isso envolve ter menos produtos subaproveitados em casa e mais acesso a coisas diferentes que possam ser melhor utilizadas. Sem dor, sem gasto e aproveitando tudo um pouquinho mais."

Site: http://www.deixapega.com.br/

16 de agosto de 2011

Sol e areia lembram praia? Aqui não.

Será que os desertos são realmente áreas improdutivas? Não é o que pensa Markus Kayser, criador de uma máquina sinterizadora movida a luz solar, a Solar Sinter. Utilizando dois recursos em abundância no planeta (sol e areia), a máquina "derrete" a areia, que passa então do pó para um material solidificado (vidro).


Podemos comparar esta máquina a uma impressora 3D, já que os objetos precisam ser primeiro modelados em computador para então serem "impressos" em areia. A primeira sinterizadora solar manual foi testada em fevereiro deste ano, no deserto de Moroccan. Após melhorias, na metade de maio foi testada a Solar Sinter automática, dessa vez no deserto do Saara.

Segundo Markus, "a máquina e os resultados desses primeiros experimentos representam os passos iniciais significativos para o que eu imagino como uma ferramenta de produção movida a energia solar de grande potencial".

 

Vasilha produzida através da Solar Sinter

Este tipo de projeto mostra como é sim possível imaginar novas formas de produção, que utilizem materiais alternativos e energia limpa! Os produtos desenvolvidos ainda são bem rudimentares (e talvez nem possam ser utilizados), mas o projeto tem uma boa perspectiva de avanço.


Site: http://www.markuskayser.com/

14 de agosto de 2011

Reconstruindo os resíduos

Continuando nossos posts sobre o N Design 021, vamos falar da oficina Reconstruções, que propôs o desenvolvimento de produtos a partir de objetos descartados. Ministrada (muito bem) por Maécio Monteiro, a oficina iniciou com uma parte teórica, onde discutiu-se sobre o problema do lixo mal destinado em praticamente todas as cidades. Maécio expôs diversas ferramentas de design ecológico que podem ser aplicadas, falando sobre a importância de resignificar e agregar conceitos, revalorizando o material.

Após a teoria, partimos para a prática: saímos pelo campus da PUCRJ procurando sucatas e objetos do lixo. Depois voltamos para a oficina, onde cada um projetou e desenvolveu algum produto.

Em busca do lixo perdido


O tempo não passa (lindo recanto encontrado na PUCRJ)

De volta à oficina, analisando os objetos recolhidos
 Encantei-me com um colchão de ar furado, e fiquei muito curiosa para descobrir como era seu interior. Cortei e encontrei um pedaço muito legal de borracha, toda furada. A primeira ideia foi uma luminária, mas tentei fugir do óbvio.

Apresentando as ideias
 Criei então um porta objetos, utilizando a ferramenta "design para a desmontagem". O produto é feito só com amarras, e pode ser facilmente desmontado.

Meu porta-objetos, desenvolvido com a bomba interna do colchão de ar, um pedaço de OSB e fios
A oficina faz parte do projeto "Reconstruções", que propõe uma forma diferente de enxergar o fim da vida dos produtos, estimulando a criatividade para a concepção de produtos que transformem esses fins em novos começos.

Site: http://reconstrucoes.com/


9 de agosto de 2011

Retomando com Lixúria!

Depois de praticamente duas semanas sem novos posts, por causa do N Design Rio + formatura, estamos cheios de novidades pra contar! A começar pelo evento no Rio de Janeiro, que estava bom demais! Conhecemos gente nova, fizemos importantes contatos, apresentamos trabalhos, compramos livros, aprendemos e ensinamos técnicas. Sem falar que a cidade maravilhosa é, de fato, maravilhosa!

Muitas pessoas costumam falar que uma semana de N equivale a um semestre de faculdade. É uma carga muito grande de informação, troca de conhecimento simultânea, contato com profissionais de tantos locais do Brasil e tudo isso tão concentrado, que se for bem aproveitado pode realmente render tanto quanto um semestre de curso.

Nessa edição, aconteceram várias atividades relacionadas com ecodesign e sustentabilidade, para nossa alegria. Desde oficinas, palestras, seminários e mesas-redondas até um desfile de moda com roupas produzidas a partir de reutilização, o "Lixúria", uma ótima combinação de lixo com a sensualidade e luxúria das cortesãs do século XVI. E é sobre esse projeto que vamos falar um pouco mais.

A ideia do projeto surgiu a partir de um grupo de alunas da Universidade Federal do Ceará (Karine Amorim, Mayrla Canafistula, Natássia Maia, Meiriane Nascimento, Flávia Rodrigues e Laura Nefitali).Materiais como caixas de leite, latas de refrigerante, aros de bicicleta, garrafas e tampas de garrafas são transformados em looks muito interessantes, com uma pitada futurista. Todas as peças foram criadas e executadas por toda a equipe de uma forma artesanal, desde o design até o acabamento de cada uma das peças. São looks originais, feitos em materiais que iriam pro lixo, mas que ganharam um novo destino. Adoramos a iniciativa desse projeto, tão bem executado, atuando como uma crítica aberta a má utilização do que é considerado lixo. Mais uma ação que mostra que é possível aproveitar o material considerado inútil.

Fotos: Diego Moreira







Parabéns meninas, e que o projeto continue com muito sucesso!