17 de novembro de 2011

As embalagens perfeitas

Em que momento algum ser racional pensou que seria interessante embalar bananas em sacos plásticos? Ou ainda, colocar uma bandeja de isopor embaixo do cacho? Ou pior, embalar bananas individualmente (é sério, isso existe!).

Foi então que Timofey Yuriev, indignado com esse desperdício (assim como várias pessoas) criou uma campanha para o WWF, onde ele enfatiza a perfeição das "embalagens naturais". Afinal, a mãe natureza é realmente muito sábia. Não satisfeita em dar-nos alimento, também os embala de forma que fiquem protegidos. Pensem nas laranjas, nas nozes, nas melancias! Porque criar um segundo envoltório, se o primeiro já é suficiente (e perfeito)? Mesmo assim, muitos ainda me olham torto no mercado quando vou pesar meu cacho de bananas sem estarem devidamente ensacadas...




Chega de chegar em casa, desembalar as frutas e jogar o saquinho no lixo! Encare o moço da balança e diga: não precisa ensacar! Depois, é só colocar as compras na sua ecobag e ir pra casa com menos lixo.

E aí, o que acharam da campanha?

12 de novembro de 2011

Módulo multifuncional Mobina

Já se passaram quatro meses de Pimenta Bis no ar... E faz pouco tempo que percebemos que ainda não tínhamos postado nada sobre a Mobina! Então, vamos lá.

Meu trabalho de conclusão (no curso de Desenho Industrial - Projeto de Produto da Universidade Federal de Santa Maria), apresentado em dezembro de 2010 e sob a orientação da profª. Drª. Fabiane Vieira Romano baseou-se no desenvolvimento de produtos a partir de resíduos industriais. O resíduo escolhido, proveniente de uma malharia, foi a bobina de papelão.


Assim, depois de todas as etapas de um projeto de produto, nasceu a Mobina, um módulo multifuncional que pode ser usado como estante, mesa lateral, banqueta e caixa. Seu nome é a junção de "módulo" e "móvel" com "bobina", o principal material.











Foi muito gratificante poder mostrar que um produto pode surgir a partir de algo que já existe. A reutilização é o foco do trabalho de vários designers, mas nem sempre é reconhecida como deve. A possibilidade de oferecer uma "segunda vida" para algo que iria para o lixo nos faz pensar sobre o descarte excessivo de objetos e de que maneiras isso pode ser mudado - e a Pimenta Bis está aí para isso!

O mais engraçado é que a Mobina já foi tema de vários posts (inclusive gringos!) e demorou pra aparecer aqui no blog! Quer conhecer alguns blogs que falaram dela? Coletivo Verde (aliás, post muito bem escrito pela Luana Godoi, que fez até uma entrevista comigo!), Ligia Fascioni (primeira a divulgar!), HomeTone, The Blog on the Bookshelf, Kompjuter Biblioteka e o Hebdoblog.

Mas além de falar sobre a Mobina, este post quer seu voto! Ela está concorrendo ao Prêmio Greenbest 2012, um concurso nacional de consumo e iniciativas com foco no meio ambiente. O objetivo da premiação é ressaltar as melhores iniciativas, profissionais, produtos e projetos, para assim criar exemplos capazes de guiar o mercado da sustentabilidade.

 O Greenbest é o maior prêmio de sustentabilidade do Brasil, e o primeiro em permitir o voto popular. O TOP 10 sai no dia 13 de março, e os vencedores serão divulgados no dia 15 de maio. Vota em mim lá, vai! (É só clicar no selo abaixo que você vai direto para o link da votação).



 Obs: para votar, é necessário escolher 3 opções entre os concorrentes, e fazer o cadastrou ou entrar com a conta do Facebook. É bem fácil :)

3 de novembro de 2011

Chave monstra

Ontem, no caminho para o mercado, não pude deixar de notar a quantidade de chaves jogadas fora em uma esquina. Eram muitas, muitas chaves! Aí fiquei pensando... a gente muda de apartamento (que geralmente tem umas 4,5 chaves) e elas vão pra onde? Fora - ou ficam esquecidas em algumas gavetas. Eu mesma tenho algumas chaves guardadas, que nem sei o que abrem.

E.. será? Será que esse é o destino delas? Não, não pode ser. Tem que ter alguma coisa mais legal e útil que elas possam virar. Então, eis que vejo as "chaves monstras" do designer Joseph Riel!


Com um simples recorte em forma de J no "corpo" da chave, Riel criou o que ele batizou de Remade: um abridor de garrafas muito estiloso! Para deixar ainda mais legal, as embalagens são desenhadas a mão e transformam as chaves reutilizadas em criaturas muito divertidas e com personalidade única!




Mais detalhes você pode conferir aqui: http://www.josephriehl.com/

* Nota mental: de agora em diante, lembrar de guardar as chaves velhas e fazer um abridor!

1 de novembro de 2011

Banquinhos gravitacionais

O designer Jólan Van Der Wiel  criou um sistema inusitado para produzir a série Gravity Stool. Estes banquinhos, um diferente do outro, surgiram como seu projeto de graduação.


Os banquinhos são feitos de uma resina combinada com material magnético e tomam forma através de uma máquina que funciona somente com a manipulação dos fenômenos da gravidade e campos magnéticos.



O resultado é surpreendente, proporciona exclusividade e personalidade a cada peça - com um visual radical! O grande lance é a maneira alternativa de produção, explorando algumas das principais forças da natureza sem prejudicá-la.


Esse projeto, assim como o Idea of a Tree (quem não viu clica aí!), fomentam a renovação do modo de produção dos objetos. Viabiliza-se a materialização de novos produtos que satisfazem antigas necessidades de maneira racional e atual, além de propôr novas expectativas para a cultura material. Apimentou?

Veja também esse video em que Jólan explica melhor sobre o projeto Gravity Tool: http://vimeo.com/29981538





24 de outubro de 2011

A beleza dos brinquedos simples


Vou falar: nunca gostei de brinquedos eletrônicos. E agora, que tenho um afilhado coisa mais querida, estou reforçando esse pensamento. Sinceramente, qual a graça de “brincar” com uma coisa que fica se mexendo sozinha, acendendo luzes, fazendo barulhos escandalosos, enquanto a criança fica ali, estática, só olhando aquele festival acontecendo na sua frente? Um brinquedo com o qual a criança nem interage? Não, obrigada.

Por isso, sempre que vou comprar algum presente pra ele, procuro brinquedos mais simples (talvez por remeterem à minha infância... nostalgia) e que tenham algum sentido mais concreto, que ensinem algo. Mas vou falar, não é muito fácil! A profusão de brinquedos eletrônicos baratos – e de qualidade duvidosa – é enorme, e acaba por seduzir o consumidor (as crianças, e os pais).

É um lindo!


  
Até que hoje deparei-me com a empresa alemã Rasselfisch, especializada em brinquedos e acessórios para crianças. Fiquei encantada com a diversidade e a simplicidade dos produtos! Eles comentam: “Há tantas lojas de produtos para crianças, mas nenhuma tem aquilo que estamos procurando. Nossa filosofia é de que é importante que as crianças sejam cercadas por produtos belos e de alta qualidade”. Além disso, há um lado social. A empresa possui alguns projetos especiais, que são produzidos por artesãos e famílias carentes.

Dentre tantos produtos lindos, vou dar destaque aos feitos de papelão. Afinal, já que dificilmente os brinquedos duram vários anos, que sejam menos prejudiciais ao meio ambiente. Desde cabaninhas, até berços, os produtos se destacam pelo design, bom acabamento e preço acessível. Além disso, são desmontáveis e podem ser personalizados pela criança – ou pelos pais que queiram liberar sua veia artística!




 





Além desses, há um outro produto da Rasselfisch que fez muito sucesso: o i-Wood, um notebook feito de madeira compensada, que na verdade é uma lousa portátil para a criançada desenhar onde quiser! Para ter uma ideia do valor, o i-Wood custa cerca de R$ 80,00.


 Gostaram tanto quanto eu? No site tem muito mais! http://www.rasselfisch.de/home.html

17 de outubro de 2011

Arte e design com papelão

Saia de casa um dia, e conte quantas caixas de papelão você vê jogadas no lixo (ou pior, fora dele). Agora pense: será que é realmente esse o melhor destino para uma matéria-prima que oferece tantas possibilidades?

É por isso que quando vemos o trabalho de um designer como Domingos Tótora sempre ficamos entusiasmados e felizes, com a certeza de que muitos materiais podem ter outro destino.


Tótora é um mineiro que escolheu o papelão como o principal material para um trabalho muito belo, que une arte e design. Todas suas peças, com texturas surpreendentes, são inspiradas na natureza e confeccionadas artesanalmente, em uma oficina onde trabalho e natureza convivem e interagem.


O papelão é picado e transformado em uma "massa", que serve como base para seus objetos, móveis e peças esculturais, que são moldados a mão e secos no sol, trazendo assim o material de volta à vida!




O designer/artista conta que era curioso, e começou a misturar o papelão com outros materiais - como o cimento, para construir novos objetos. E o resultado, como pode-se ver, são peças muito bem acabadas, onde a forma consegue unir o funcional e o belo.






A beleza do trabalho não está só no produto final, mas no próprio processo. Tótora acredita que sustentabilidade é aquilo que se faz, não o que se diz: ela acontece através de ações, e não de palavras.

Quer conhecer mais o trabalho e o processo de produção? Acesse o site http://www.domingostotora.com.br/ e desfrute!

OBS: dica da mãe (e leitora)!

4 de outubro de 2011

Manifesto do conserto

Há algum tempo atrás, surgiu um concurso regional na televisão sobre "o que você faz pelo bem do planeta". Os participantes deveriam enviar um texto (com fotos e videos, se quisessem) falando sobre ações que realizavam para efetivar os populares 3 Rs: Reduzir, Reaproveitar e Reciclar - na ordem em que devem acontecer.

No momento, pensei "caramba, não param nunca com essa decoréba infantil. É três Rs, cinco Rs, quatro Ps, cinco S, sete S, pra tudo que é lado". Mas de fato refleti sobre o que são essas ações e como elas se manifestam no meu dia-a-dia.

Reduzir é equivalente a pensar.
Pensando no que é realmente necessário na hora de consumir, por exemplo, não sobram restos, não há exagero e não fará falta.  A qualquer momento pode-se fazer mais com menos, basta pensar.
Tem coisas que quanto mais usarmos, menos sobra para os outros.
Tem coisas que quanto menos usarmos, mais o povo agradece.
Por isso, acredito que reduzir é resolver essas equações, é pensar - na gente e nas próximas "gentes".

Reciclar é uma coisa que eu não faço e nem consigo fazer sozinho.
A reciclagem é um processo muito grande, do qual somente fazemos parte. Não é a solução mais prática para resolver os problemas do meio ambiente, nem a menos dispendiosa; porém, vale a nossa contribuição separando o lixo - já que, aparentemente, é isso que o sistema de reciclagem nos solicita.

Por fim, talvez a ação mais eficaz e prática: REAPROVEITAR.
Já tem tanta coisa no mundo, o que pode ser reutilizado deveria ser realmente reutilizado!
Reaproveita-se muitas vezes sem perceber, e o resultado pode ser ideal. Por exemplo: pote de sorvete para guardar qualquer coisa que caiba nele, potes de vidro que viajam de casa em casa recebendo compotas, doces, conservas.

Talvez nem todo mundo se considere apto a realizar um "raciocínio projetivo" para reaproveitar qualquer coisa, mas acredito que basta treinar. Improvisos, consertos, resolver pequenas coisas com somente aquilo que há a disposição colaboram muito mais para uma verdadeira conscientização ecológica.

Hoje, fiquei surpreso ao saber da existência do Manifesto do Conserto, através do blog da Ligia Fascioni. Ótima iniciativa do pessoal do escritório Platform 21, da Holanda.
Tradução, com crédito para o blog da Ligia Fascioni:

Manifesto do conserto

1. Faça seus produtos durarem mais!
Consertar significa ter a oportunidade de dar a seu produto uma segunda vida. Não descarte, costure! Não jogue fora, emende! Consertar não é ser anti-consumismo. É evitar que coisas sejam descartadas sem necessidade.

2. Pense em projetar coisas que possam ser consertadas.
Designers de produtos: façam seus produtos consertáveis. Compartilhem informações claras e inteligíveis sobre maneiras de reparar o seu produto. Consumidores: comprem objetos que possam ser consertados ou então reflitam porque eles não existem. Sejam críticos e inquisitivos.

3. Consertar não é substituir.
Substituir é jogar fora a parte quebrada. Esse não é o tipo de reparo que estamos falando aqui.

4. Fazer o produto mais robusto não vai matar você.
Cada vez que consertamos alguma coisa, nós acrescentamos a ela potencial, história, alma e beleza.

5. Consertar é um desafio criativo.
Fazer consertos é bom para a imaginação. Usando novas técnicas, ferramentas e materiais proporcionamos um destino melhor do que o simples fim.

6. Conserto sobrevive à moda.
Consertar não é sobre estilos e tendências. Não existe data de validade para produtos consertáveis.

7. Consertar é descobrir.
Consertar objetos pode fazer você aprender coisas incríveis sobre como eles realmente funcionam. Ou não funcionam.

8. Consertar – mesmo em tempos de fartura!
Se você pensa que esse manifesto é por causa da recessão, esqueça. Isso não é sobre dinheiro, é sobre mentalidade.

9. Coisas consertadas são únicas.

Mesmo se parecerem originais depois de reparadas.

10. Consertar é ser independente.

Não seja escravo da tecnologia – seja seu mestre. Se quebrou, conserte e faça melhor. Se você não é mestre, valorize quem o é.

11. Você pode consertar tudo, mesmo uma sacola plástica.
Mas nós recomendamos sacolas que durem mais e que sejam reparadas quando for necessário.

Pare de reciclar. Comece a consertar.

"Consertado com amor". Fonte: Paltform 21.
Olha aí... Consertou, tá novo (e original)!
 

Download do manifesto original: http://www.platform21.nl/download/4375
Blog Ligia Fascioni: http://www.ligiafascioni.com.br/blog/
Site do Platform 21: http://www.platform21.nl/index.php?lang=en

21 de setembro de 2011

Malas prontas de novo...

E novamente para o Rio!
Desta vez, com uma missão diferente: curtir a banda mais apimentada de todos os tempos, Red Hot Chili Peppers, no Rock in Rio. Shows, música, viagem e paisagens maravilhosas nos enchem sempre de boas referências e inspiração, além das boas ideias de design que postamos aqui. Quem não se sente mais a vontade, até mesmo para trabalhar e projetar, com uma boa música ao fundo...
Para os fãs, como nós, e também para quem ainda não escutou, aí vai um dos últimos sucessos da banda:




18 de setembro de 2011

Clássico + clássico = renovação

De volta às boas lembranças que trouxemos do N Design Rio 2011...

Aprendemos que existem projetos de design que não precisam ser necessariamente inovadores, mas sim voltados à atualização formal dos produtos, dando uma cara contemporânea para as boas ideias consideradas ultrapassadas, antigas, porém que sempre funcionaram.

Podemos chamar isso de "contemporaneização dos produtos", pois renova a utilidade dos objetos através de uma reinterpretação formal ou funcional - no primeiro caso, estudando maneiras de rearranjar a forma no contexto atual, experimentando e criando novas possibilidades; e no segundo caso, modificando a função do produto para que atenda uma nova ou outra necessidade.

E isso é bom?

Tem tanta coisa útil esperando para ser aproveitada, entretanto nem sempre está inserida no seu contexto, no cenário. A contemporaneização dos objetos ajuda a resgatarmos aquilo que há de bom nos produtos antigos, aproximando-os do nosso cotidiano.

Quem nos ajudou a refletir sobre tudo isso foram os designers Pedro Moog e Leonardo Lattavo, da Lattoog, especialistas em design de mobiliário. Durante o evento no Rio, participamos de uma trinca onde os rapazes nos apresentaram a brilhante Série Viralata, uma coleção composta por diversas peças que são resultado da fusão de outros móveis, em um processo ininterrupto de “cruzamentos” entre móveis e objetos que geram terceiras criações. Segundo eles, o conceito da série apresenta referências fortes às raízes e cultura brasileira: miscigenação, sincretismo e "vira-latismo".

Série "Vira-Lata". Fonte: Lattoog

Com o conceito indiscutivelmente bem aplicado - de maneira muito divertida, inclusive - acreditamos que os resultados dessa série são ótimos exemplos, mais concretos, da adaptação das formas para o cenário contemporâneo.

A Lattoog criou vários outros produtos (incluindo móveis inspirados na cultura nacional, principalmente carioca), e ressaltaram para os estudantes presentes no bate-papo a importância de projetar e desenhar valorizando as nossas raízes, a cultura local.  Afinal, projetos bem feitos - como este - contribuem para a cultura, economia e para a sociedade.

Site: http://www.lattoog.com/home/
Blog: http://lattoogdesign.blogspot.com/

15 de setembro de 2011

Brinco de quê?

Você já parou pra pensar em o que é considerado uma joia? Para muitas pessoas, a verdadeira joia é aquela que utiliza materiais preciosos (e que geralmente é cara). Tenho uma opinião bastante particular nesse assunto: para mim, uma joia é aquela peça simbólica que para você tem algum valor. Está mais relacionado ao equilíbrio formal da peça do que aos materiais que ela utiliza.
 

E se você pudesse utilizar qualquer elemento do seu cotidiano, e torná-lo uma joia? Já olhou ao seu redor para ver a quantidade de coisas incríveis que nos rodeiam todos os dias?







A peça - pick up a jewel - é da Fift. Que sirva de inspiração para fazermos também as nossas próprias joias, com soluções simples como esta.

Fonte: http://fift.jp/project/pickajewel/pierce/